Legal ou ilegal?

Legal ou ilegal?

Uma ansiedade constante toma posse sorrateiramente desde que você põe o pé nas terras do Tio Sam. Começando pela alfândega, mesmo sabendo que está tudo absolutamente em ordem, ela se instala insidiosa nas dúvidas sobre o endereço, visto, passaporte. Dirigindo o carro então, são mil situações de dúvida sobre se fazer ou não um retorno em U ou se virar à direita no sinal vermelho (aqui é supostamente permitido). Mas o “supostamente” já aparece criando dúvidas e alimentando a maldita ansiedade pegajosa.

O que mais tem por aqui são placas com proibições. Proibições e multas, porque ao final tudo se mede em dinheiro. Placas. O tempo todo, em todos os espaços, exageradamente. Detalhes com medidas de quantos metros de distância você precisa respeitar. Questões duvidosas como a proibição de ficar após as 18:30 junto com a explicação de que, se ficar o portão será trancado. Pode ou não pode ficar até o outro dia quando volta a abrir o portão do parque? Optamos por ficar. Era um ótimo lugar para dormir frente ao lago, com banheiros e área de picnic. Perguntamos a um funcionário do parque que falou que se parássemos o carro numa parte menos exposta do estacionamento estaria tudo ok. Mas pode ou não pode? Até agora não sei. A sensação de estar fazendo algo sem saber se era legal ou ilegal permanece como uma infeção latente, contaminando o prazer saudável e inocente.

Mas a mais reveladora de todas as placas é a de “loitering”. Uma sociedade que coloca exaustivamente placas proibindo o “não fazer nada” só pode estar muito, muito, muito, doente.

“Loitering is the act of remaining in a particular public place for a protracted time without any apparent purpose”

#nineshviagem #dia9

 

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