As cidades deshumanas

“Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco”, o cacique Seattle já deixava isto muito claro na sua carta de 1855.

Cheguei em Sydney pelo mar, avistando primeiro os arranha-céus e logo a tão famosa Opera House junto ao Harbour Bridge.

No cartão postal perfeito tinha uma distorção: um gigante azul atravessava por trás de fora a fora O Ovation of the Seas é um mega navio para quase cinco mil pessoas que fez a Ópera ficar pequena. Senti na hora o impacto olhando para aquelas janelinhas amontoadas numa altura inacreditável para flutuar. Toda a arquitetura e engenharia humana parecia gritar na minha frente o horror antinatural das máximas representações da sua capacidade criativa.

Senti repulsa. Senti vergonha. Senti incompatibilidade com esse ser humano que hoje é o bicho que domina o planeta. Senti não pertencimento a esse lugar aonde ainda não tinha nem colocado os pés. Senti vontade de nadar a bahia toda de volta para onde o mar, a areia, as montanhas e a mata esperavam meu retorno.

Foi assim que entrei na cidade grande como se nunca antes estivesse estado numa. Sem reconhecê-la como um lugar normal. Estranhando-a completamente. Me sentindo cada vez mais sufocada na medida que o ferry se aproximava à doca.

? Ninesh

?Sydney – Austrália

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